Casos Clínicos

P: Sou corredor há 16 anos, e devido a lesões mal curadas no tornozelo foram diagnosticados sinais de artrose no local. Estou tomando Glicosamina + Condroitina, mas este medicamento recupera a cartilagem ou apenas retarda a degeneração? Posso continuar meus treinos na grama normalmente?

R: Tanto o sulfato de glicosamina quanto o sulfato de condroitina são chamadas de drogas condroprotetoras, ou seja, têm a função de proteger a cartilagem, que é um tecido altamente especializado localizado na porção intra-articular dos ossos, exatamente onde eles se encontram e formam as articulações. Auxiliam tanto no retardo da degeneração sofrida por este tipo de tecido, quanto na regeneração propriamente dita da cartilagem, através da ação como matérias primas básicas para a produção de proteínas glicosaminoglicanas que proporcionam um caminho para a manutenção de uma articulação mais saudável, trazendo diversos benefícios como melhor função motora articular e diminuição da dor associada à osteoartrose. Você pode continuar seus treinos desde que as dores estejam controladas, porém sempre que possível tente correr na grama para poupar seu aparelho músculo-esquelético.

 

P: Sofri um estiramento muscular perto da virilha e gostaria de saber como devo tratá-lo. Está correto o uso de remédios antiinflamatórios e pomadas analgésicas?

R: O estiramento muscular na virilha normalmente envolve a musculatura adutora da coxa, ou seja, aquela que traz a coxa em direção ao meio do corpo. O estiramento é um tipo de lesão muscular na qual ocorre perda parcial da integridade das fibras musculares, com extravasamento de sangue pelo músculo, dor, inchaço, e incapacidade funcional. Ainda que seu uso esteja muito difundido no meio médico para alívio da dor, o uso de antiinflamatórios nestes casos é polêmico pois inibe a resposta corporal contra a inflamação, que é exatamente o que o músculo precisa para começar o processo de reparo e regeneração. Utilize a pomada durante o dia para alívio parcial dos sintomas, e compressas de água quente à noite, mas nunca os dois juntos. Não tente alongar a musculatura, pois vai piorar a situação. Procure um médico especialista em medicina do esporte para a correta avaliação do seu caso, e também para instituir um programa de fisioterapia e recuperação, pois você vai precisar disto para voltar a correr.

 

P: Estava realizando um trote leve na pista de atletismo de meu clube, na parte interna de grama, descalço, quando furei meu pé com a ponta de um graveto. Como devo realizar os curativos?

R: Realizar trotes leves descalços é uma boa idéia, sobretudo no final dos treinos mais fortes, mas cuidados precisam ser tomados para estes ferimentos não ocorrerem. Procure uma torneira de água corrente, e lave abundantemente a região afetada, se possível utilizando sabão neutro ou sabonete. Após secar bem o ferimento, cubra-o com uma gaze seca e limpa, e não utilize nenhum produto do tipo antisséptico, pois os mesmos dificultam o exame posterior do ferimento e não contribuem para a assepsia do local. Prenda a gaze com esparadrapo e procure o serviço médico para uma melhor avaliação. Lembre-se que a vacinação anti-tetânica produzirá anticorpos para um ferimento futuro, e não terá efeito para este ferimento. Caso você não tenha a vacinação completa (cada 10 anos na vida adulta), acompanhe cuidadosamente a evoluçao do ferimento e providencie sua vacina para não correr riscos da próxima vez.

 

P: Durante meu último treino longo estava correndo em um terreno muito acidentado, cheio de raízes de árvores e buracos. Quando faltava 15 minutos para o final, acabei torcendo meu tornozelo, mas não fui ao médico imediatamente. Ainda sinto dores no local, que está inchado e um pouco roxo. Como devo proceder?

R: O entorse de tornozelo, apesar de não ser muito comum na prática esportiva da corrida de longa distância pois estamos normalmente correndo em uma única direção, pode ocorrer nas circunstâncias que você descreveu. O melhor a ser feito logo após um entorse importante, ou seja, aquele que causa uma dor incapacitante para prosseguir o treino ou corrida, é parar e envolver o tornozelo com um saco de gelo por cima mesmo do tênis. A razão para se manter o tênis calçado é proteger o tornozelo e evitar um inchaço muito grande. A partir de então, o tratamento segue o caminho definido pela sigla "PRICE", que são as iniciais na língua inglesa das seguintes palavras: proteção ("protection", que já está sendo realizada pelo tênis), repouso ("rest"), gelo ("ice"), compressão ("compression", que também está sendo feita pelo tênis e pela faixa que segura o saco de gelo) e elevação do membro ("elevation"). A partir de então, você deve procurar um serviço médico para avaliar a possibilidade de fraturas e/ou lesões ligamentares. Lembre-se que o tratamento não é tão simples e a fisioterapia é fundamental nestas situações.

 

P: Estou com dores na região lombar há sete meses, e apesar de já ter consultado vários ortopedistas, não obtive uma melhora deste problema. O que devo fazer?

R: Dores na região lombar afigem milhares de pessoas em todo o mundo. A quantidade de dinheiro gasto no tratamento da lombalgia é absurdo, e constitui-se na principal causa de afastamento do trabalho nos Estados Unidos. Com característica multi-fatorial, ou seja, causada por diversos fatores, como encurtamento da musculatura posterior da costas e coxas, excesso de peso, enfraquecimento da musculatura abdominal, escoliose (tortuosidade da coluna), acentuação das curvaturas vertebrais, e predisposição genética, a dor lombar costuma ocorrer em crises freqüentes e melhorar após seis a oito semanas. Quando o problema envolve apenas as estruturas ligamentares e musculares, não há alterações neurológicas que acompanham este quadro clínico, e não é comum a ocorrência de cefaléia (dor de cabeça) concomitante. Diferentemente da dor renal, que é muito mais aguda e intensa, necessitando de atenção médica imediata, a dor lombar é constante porém de baixa intensidade e relativamente incapacitante. Os exames de imagem como o raio X e a ressonância magnética estão indicados em casos recorrentes ou quando há suspeita de envolvimento neurológico, e o tratamento medicamentoso inclui analgésicos como o Paracetamol, relaxantes musculares e antiinflamatórios, além de sessões de fisioterapia, RPG (Reeducação Postural Global), acunpuntura e atividade física leve. A prevenção ainda é o melhor remédio, através da atividade física constante e de moderada intensidade, manutenção de baixo peso, postura adequada, e alongamento das cadeias musculares posteriores.

 

P: Descobri no ano passado que tenho uma lombociatalgia. Fiz o exame de eletroneuromiografia, que confirmou este problema. Melhorei com RPG e antiinflamatórios. Com isto tenho suportado fazer minhas corridas de rua, mas tenho piorado nos últimos meses. Agora descobri que estou com uma bursite do mesmo lado. Estou fazendo fisioterapia, mas ainda tenho muita dor. O que devo fazer?

R: Parabéns pela melhora da lombociatalgia, caracterizada por dor lombar com irradiação para os membros inferiores, decorrente de um processo inflamatório em nervos que atingem esta região ou mesmo de processos compressivos na medula espinhal por protrusão dos discos intervertebrais (hérnia discal), e diagnosticada pela eletroneuromiografia conjuntamente com o exame clínico do médico. Já a bursite representa uma situação caracterizada pela inflamação de uma bolsinha localizada em alguns locais do sistema músculo-esquelético com a função de permitir maior mobilidade das articulações sem grandes atritos entre as estruturas envolvidas no movimento. Creio que deve utilizar compressas de gelo como medida antiinflamatória e conversar com seu fisioterapeuta a respeito da necessidade de exercícios de alongamento para a face lateral da coxa.

 

P: Estou sentindo estalos do lado externo do joelho, como se estivesse osso com osso. Estes estalos aumentam dependendo do ritmo de treino que faço. Não sinto dor, apenas um cansaço muscular após o treino ou prova. Como devo proceder?

R: O estalo nos joelhos pode representar um sinal de desgaste nesta articulação, porém normalmente se apresentaria com dores, inchaço ou alguma outra alteração ao exame físico no local. Outra possibilidade é alguma estrutura da face lateral do joelho estar se movimentando de forma anormal, ou seja, mais do que deveria, e raspando em outra estrutura, causando estes estalos. Observe se algo se movimenta enquanto você dobra e estica os joelhos. Caso o problema persista, procure seu médico para a correta avaliação do seu caso.

 

P: Tenho uma dor no calcanhar e planta do pé esquerdo. Já troquei de tênis e não resolveu. Quais alongamentos são mais indicados, assim como qual antiinflamatório e tipo de calcanheira são os mais recomendados?

R: Os alongamentos mais indicados são aqueles que "esticam" a planta dos pés; portanto você pode dobrar os dedos dos pés contra o rodapé da parede a abaixá-los até a planta encostar no chão, sentar sobre seus calcanhares até tocarem suas nádegas, e rolar uma bola de tênis ou uma garrafa de água congelada sob a planta do pé acometido. Use uma calcanheira de silicone para os dois pés, e os antiinflamatórios indicados são os não-hormonais, mas apenas com prescrição médica.

 

P: Sofri um estiramento na parte posterior (atrás) da coxa. Já fui ao médico, tomei antiinflamatórios e fiz 20 sessões de fisioterapia, mas não obtive melhora. Existe alguma outra alternativa mais eficaz de tratamento ou algum exame mais rigoroso para realmente detectar a lesão?

R: Você pode procurar alternativas de tratamento caso sua lesão ainda não melhorou. Como investigação diagnóstica, pode lançar mão de exames de imagem que complementariam o exame clínico realizado pelo seu médico, como o ultra-som ou a ressonância magnética, dependendo da sua situação clínica. Muitos atletas obtêm bons resultados com acunpuntura, que é outra modalidade fisioterápica que você pode discutir sua indicação com seu médico.

 

P: Descobri que tenho um cisto poplíteo no joelho (também chamado de cisto de Baker). Do que se trata e o que fazer?

R: O cisto de Baker (ou poplíteo) não é um diagnóstico em si, mas um achado radiológico que se forma a partir de alguma alteração estrutural no joelho do paciente, que precisa ser investigada, diagnosticada e tratada.
Localiza-se na porção posterior (atrás) do joelho, chamada de fossa poplítea (daí seu nome), e constitui-se de um prolongamento do revestimento da articulação chamado de membrana sinovial, normalmente contendo em seu interior uma fina camada de líquido para lubrificar e nutrir a cartilagem das superfícies ósseas do joelho. Nas lesões traumáticas ou degenerativas, envolvendo ligamentos, meniscos ou cartilagem, a articulação reage com a formação exagerada de líquido sinovial que se acumula e forma uma bolsa visualizável por exames de imagem, identificada nos laudos dos radiologistas como cisto de Baker. Portanto, é importante determinar a causa de sua formação para que a verdadeira alteração no joelho seja diagnosticada e tratada.

 

P: Tenho dores no nervo ciático há 10 anos, que pioraram progressivamente após ter engordado 5 quilos. Quais os procedimentos para um bom tratamento e o que se deve fazer para evitar que o problema ocorra novamente?

R: A ciatalgia (dor na região inervada pelo nervo ciático, ou seja, atrás dos membros inferiores), e lombociatalgia (dor com as mesmas características que se inicia na região lombar), podem piorar com o aumento de peso do paciente pela solicitação adicional sobre a musculatura da região lombar e dos membros inferiores. O trabalho físico em água, como a natação, hidroginástica ou "acqua-jogging" têm proporcionado uma melhora significativa para vários pacientes, além de RPG (reeducação postural global) que também é uma opção interessante de tratamento. A recuperação realmente é lenta e o controle da dor pode ser conseguido com medicação sintomática. A perda de peso é fundamental para a prevenção de novas crises.

 

P: Sinto dores na cava dos pés, e além de corrida pratico dança do ventre. Será que os dois fatos estão relacionados?

R: Os dois fatos estão relacionados, pois na medida em que você pratica a dança, a fáscia plantar de seus pés (camada de tecido conjuntivo na planta do pé) tende a encurtar e se retrair, contribuindo para a fasciite plantar, que se caracteriza por dor e desconforto na base da planta dos pés, próximo ao osso do calcanhar. Pratique exercícios de alongamento desta região diversas vezes ao dia, além de realizar massagens com gelo.

 

P: Comecei a apresentar dores no joelho esquerdo após uma corrida de 30 km, cujo diagnóstico por exame de ressonância magnética apontou condromalácia.
Estou tomando medicação (Artrolive) e fazendo fisioterapia, mas o problema continua. O que devo fazer?

R: A condromalácia é um desgaste articular que acarreta dor e dificuldade para a movimentação da articulação, neste caso entre a patela e o fêmur (ossos do joelho). O uso do Artrolive, nome comercial da medicação que contém duas drogas consideradas condroprotetoras (sulfato de glicosamina e sulfato de condroitina, protetoras da cartilagem por regeneração de células), é um aspecto importante do tratamento, assim como a fisioterapia, os exercícios de alongamento e as rotinas de fortalecimento muscular. O uso de gelo e medicação antiinflamatória deve controlar a dor e o processo de inflamação no local.

 

P: Na preparação para a Maratona de São Paulo, comecei a sentir dores na virilha, que pioraram com o decorrer do treinamento e se alastraram para a região do púbis, no centro da bacia. Qual seria o melhor tratamento para a eliminação da lesão?

R: A lesão é compatível com um processo inflamatório chamado de sinfisite púbica ou pubeíte, com dor na região púbica (pubalgia) causada por um desbalanço de forças entre os grupos musculares adutores e os abdominais, que agem antagonicamente sobre os ossos da bacia e os membros inferiores.
Pode ocorrer um processo de degeneração óssea na região, com desgaste articular da sínfise púbica, além de degeneração na inserção óssea das fibras da musculatura adutora da coxa, confirmando a origem biomecânica da lesão. A fisioterapia acoplada com exercícios de fortalecimento muscular trará benefícios a longo prazo, mas a cirurgia é uma opção que não deve ser descartada.

 

P: Em junho de 2005 tive um problema de fratura por stress na tíbia da perna direita, diagnosticada através de uma cintilografia óssea. O médico (ortopedista) que me assite pediu para que eu interrompesse a corrida por um período de três meses para refazer os exames. O que eu gostaria de saber é se existe algum tratamento específico além de interromper as atividades por um determinado período.

R: Sinto muito pela ocorrência da fratura de stress que você sofreu neste semestre, mas espero que já esteja se sentindo melhor. Sim, existem exercícios e atividades alternativas que podemos lançar mão durante o repouso da corrida propriamente dita. As atividades em água, como natação, hidroginástica ou "deep running" (corrida na água com cinturão flutuador), auxiliam na manutenção do seu condicionamento cárdio-vascular sem provocar uma sobrecarga indevida sobre seus membros inferiores. Caso não lhe tragam dores durante a atividade, a bicicleta ergométrica, o "spinning" e o "transport" ("eliptical trainer") também são opções interessantes para o treinamento aeróbico. Sua rotina de alongamentos e fortalecimento muscular de todo o corpo deve sempre ser mantida com extrema regularidade para manter o condicionamento de seus músculos e articulações. Discuta com seu treinador todas estas possibilidades.

 

P: Sou atleta de fim-de-semana, e há algum tempo sofri um estiramento na coxa quando jogava futebol e estiquei demais as pernas. Tratei com gelo e alongamentos, e quando a dor cessou, voltei ao futebol. No retorno, não lembrei de alongar adequadamente, e sofri novamente outra lesão no mesmo local. O que devo fazer para curar definitivamente este problema e evitar recidivas?

R: Há vários riscos para um atleta de final-de-semana, entre eles as lesões recorrentes. Para mudar esta situação, evite praticar esportes apenas nos finais de semana e incorpore à sua rotina semanal um programa de atividade física, orientado por profissional habilitado na área, incluindo atividades aeróbicas, treinamento de força e alongamentos. Em relação à lesão, aguarde 5 semanas para um retorno gradual ao esporte, realizando neste período sessões de fisioterapia, medidas para o controle da dor, e exercícios para ganho de amplitude de movimento e ganho de força. Da próxima vez, serão fundamentais o aquecimento e o alongamento prévios, caso contrário o risco de novas lesões ocorrerem será muito grande.

 

P: Após meus treinos de corrida, que começam com um aquecimento de cinco minutos e se estendem por uma hora a uma hora e meia em caminhada rápida e trote alternados, sinto dores nas costas na altura da cintura. Imagino que possa ser má postura, mas não tenho certeza. Qual será a causa?

R: Todas as pessoas devem procurar assumir uma postura correta durante o dia-a-dia, independente de qual atividade física ou laboral são realizadas. Esta dor acomete a região lombar, e portanto é denominada de lombalgia, muito provavelmente de origem mecânica, ou seja, falha no funcionamento da musculatura que está localizada ao lado da coluna vertebral e chamada de musculatura paravertebral. Existem detalhes importantes das características da dor lombar que precisam ser relatados, como se é em pontada ou aperto, vem acompanhada de formigamento ao longo dos membros inferiores, há ou não febre, houve algum tipo de trauma direto ou estiramento no local, e há quanto tempo está acometendo o paciente. É recomendável a consulta com um médico ortopedista para avaliar o problema, formular alguma hipótese diagnóstica e realizar exames de imagem caso sejam necessários. A corrida ou caminhada deve ser complementada com exercícios de alongamento e fortalecimento muscular, pois a falta de alongamento adequado da musculatura da cadeia posterior, incluindo os músculos paravertebrais, ísquio-tibiais (atrás das coxas), panturrilhas e plantas dos pés contribui para o surgimento e/ou agravamento de lombalgias mecânicas, além do excesso de peso. Discuta com o treinador estas possibilidades de exercícios complementares na rotina diária dos treinamentos, e se necessário procure um ortopedista especializado em Medicina Esportiva para uma correta avaliação do caso.

 

P: Tenho 46 anos de idade e sou corredor de rua há seis anos. Há um ano comecei a sentir uma pequena dor na parte posterior da coxa direita, mas mesmo assim conseguia treinar e correr após o aquecimento, porém a dor aumentava de freqüência após as corridas. Após seis meses procurei um ortopedista e fiz várias infiltrações, inúmeras sessões de fisioterapia e tratamento com vários antiinflamatórios, mas não obtive resultados satisfatórios Também fiz diversos exames de imagem, como a ressonância magnética e o ultrassom, no qual foi detectada uma tendinopatia do músculo semi-tendíneo, que me incomoda até quando estou sentado. Procurei uma academia, onde fui orientado a fazer musculação por haver um desequilibrío muscular em membros inferiores, e senti alguma melhora, mas voltei a treinar e as dores voltaram.

R: A lesão do semi-tendíneo é díficil de ser tratada e requer muita paciência por parte do atleta. Assumindo que o diagnóstico esteja correto, é recomendável a tentativa de procurar o fortalecimento da musculatura posterior da coxa, assim como sessões de fisioterapia ou acunpuntura. O uso de calor local com bolsa de água quente é interessante, e pode ser feito várias vezes por dia. Durante o tratamento, procure diminuir o ritmo de treinamento no volume e intensidade para dar ao tendão uma chance de recuperação, ou então suspenda a corrida por um período mais longo e faça atividades aeróbicas alternativas, como natação, "deep running" (corrida com flutuador), máquinas elípticas ("step"), e bicicleta ergométrica, se não incomodar. Use uma almofada um pouco à frente das nádegas para não comprimir tanto o tendão quando estiver sentado por longo tempo.

 

P: Tenho 22 anos e corro há três anos, só que estou parado há oito meses por causa de uma periostite, e tive que me afastar dos treinos e das coridas. O problema foi devido a uma sobrecarga nos membros inferiores após treinamentos muito intensos. Fiz um exame de ressonância magnética que acusou periostite nas duas pernas. Estou me tratando com fisioterapia, antiinflamatórios, e realizando sessões de hidroginástica. A dor e a queimação nas pernas diminuíram bastante, mas ainda sinto um pequeno desconforto. Estou querendo voltar aos treinos, começando com fortalecimento muscular, trotes e caminhadas. Mesmo ainda sentindo levemente alguma dor, posso voltar a correr ou devo começar apenas fortalecendo a musculatura da parte frontal da perna?

R: A periostite nada mais é do que um processo de inflamação na membrana de tecido conjuntivo que recobre o osso, denominada de periósteo. A periostite surge na maior parte das vezes por sobrecarga nos ossos da perna (tíbia e fíbula) quando há um aumento indevido de volume de treinamento, más condições do tênis de corrida, enfraquecimento da musculatura anterior e posterior da perna, ou descanso insuficiente entre as sessões de treinamento e/ou competição. A volta aos treinamentos deve ser feita com uma carga de trabalho leve, respeitando uma progressão lenta, e acompanhada por um programa de fortalecimento muscular específico para esta região dos membros inferiores. É esperado sentir um certo incômodo no começo, e recomendo compressas de gelo diariamente após os treinos, além de uma boa dose de paciência no retorno.

 

P: Tenho 66 anos de idade, e há algum tempo venho sentindo, às vezes, tonturas durante os trotes. Não são muito freqüentes, mas ocorrem principalmente nos dias quentes e muito claros. Há uma semana fui surpreendido por uma síncope quando fazia um trote pelo parque da cidade. Fui recobrar a consciência já no hospital, após ter sido levado pelo Corpo de Bombeiros, e informado que populares pensavam que eu tivera uma convulsão: olhos abertos, boca cerrada, caído no chão e salivando bastante. As avaliações cardiológica e neurológica descartaram complicações maiores. Nos treinos de qualidade (tiros), assim como nas provas, nunca senti tontura. Qual seria a causa da síncope e das tonturas?

R: Certamente que o ocorrido deve ser investigado para descartar qualquer complicação mais importante, apesar da avaliação cardiológica e neurológica no pronto-socorro não terem revelado nada de grave. A síncope é uma perda repentina da consciência, e pode ter causas neurológicas ou cardíacas, entre outras. Em última análise é a baixa oxigenação para o cérebro que acarreta a perda súbita de consciência, porém sua causa necessita ser determinada para que o tratamento proposto seja o mais eficaz possível. É importante lembrar se existem antecedentes de problemas cardíacos ou neurológicos, como pressão alta, aumento de colesterol e/ou triglicerídeos no sangue, arritmias cardíacas, ou síncopes prévias. A consulta ao cardiologista e/ou neurologista se torna muito importante, assim como realizar alguns exames: ECG (eletrocardiograma), Holter (ECG de 24 horas), ecocardiograma, e até mesmo um cateterismo, no intuito de estabelecer a causa da síncope. Treinos de alta intensidade (tiros, intervalados, fartleks) devem ser evitados até um diagnóstico mais preciso, e da mesma forma as competições, até a liberação pelo cardiologista.

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